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dia mundial da dança… e um murro no estômago

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No dia mundial da dança estreei-me a ver um espectáculo da Olga Roriz. Como é que é possível só agora ter resolvido ir ver um espectáculo desta companhia?

A Sofia desafiou-me, há umas semanas, para fazermos uma girls night 😀 e depois de se ser mãe este conceito é tão diferente… O programa seria irmos ao Centro Cultural de Ílhavo ver a estreia nacional do novo espectáculo da Companhia Olga RorizAntes que matem os Elefantes“.

Lá fomos. Não criei expectativas, não fazia ideia de que tratava o espectáculo, apesar de ter lido a sinopse, fui no vazio mas bastante ansiosa para saber ao que ía.

O espectáculo começou e passados 2 minutos eu já chorava… Não vos vou contar sobre o que é, o melhor é mesmo irem ver. Mas, preparem-se para 2 horas inteirinhas super intensas partilhadas por 7 bailarinos em palco. Não é só um murro no estômago, são vários… e a narrativa é actual, familiar e podia ser eu e os meus…

Não vou mentir, cochilei um bocadinho porque há muitos momentos sem música que se tornam difíceis de acompanhar e eu estava muito cansada e com febre. No entanto, fiquei vidrada na maior parte do espectáculo, maravilhada com a técnica e expressividade dos bailarinos. Sem dúvida uma experiência a repetir. Vou estar mais atenta para não perdermos mais girls night destas 🙂 Boa, Sofia?
“Por onde reabrir caminho, qual o tema, a terra, o objetivo? À procura de nós, dos nossos detritos. Em frente… sempre em frente não olhar para trás. Olhos fechados sem querer pensar, o frio, o medo do frio, a fome. Ali em lugar nenhum, lugar perdido, duro, rasgado. Ali, o lugar da ânsia do desconhecido. Memórias de estômago vazio. A escuridão, o corpo colado a outro corpo e a outro e a outro… O filho de encontro ao peito, cobertor às costas e malas, sacos, bonecos, entre uma outra pequena mão de carne e osso. Pés devastados, pisados de cada poeira. As pedras…O céu espesso, um céu aberto e a cabeça a estalar. Já não se sabe da dor, já se perdeu a ira. A dúvida, a insegurança e a pequenez cansa. Perdido o mínimo poder, perdida a dignidade, cansa. Demolida a última réstia de humanidade, cansa. E porquê eu? (Olga Roriz, out. 2015)”

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